Quando falamos de treino em altitude, falamos em treino realizado a cerca de 2500 ou mais metros de altitude;

Quanto maior for a ascensão em altitude, maior vai ser a diminuição da pressão barométrica, ou seja, menor vai ser a pressão (força por unidade de área) que os gases, constituintes da atmosfera, exercem sobre o corpo de uma pessoa;

Com a diminuição da pressão barométrica acontece, simultaneamente, a diminuição da pressão parcial de O2 (oxigénio), sendo que a quantidade de moléculas de oxigénio é inversamente proporcional à altitude, ou seja, quanto maior a altitude, menor a quantidade de moléculas de oxigénio. É por isso que se diz que quanto maior é a altitude, mais rarefeito é o ar.

Em circunstâncias “normais“ (digamos que ao nível do mar) as trocas gasosas entre a atmosfera e os pulmões humanos são realizadas através de um gradiente de pressão, sendo que o ar “migra“ do local de maior pressão (a atmosfera) para o local de menor pressão (interior dos nossos pulmões).

Tal é possível porque, na inspiração, os músculos diafragmáticos contraem, aumentando o volume dos alvéolos pulmonares, diminuindo a pressão alveolar (relativamente à pressão barométrica), facilitando as trocas gasosas.

Deste modo o ar flui com facilidade para o interior dos pulmões e a respiração acontece normalmente e sem dificuldade.

Em condições de altitude, ou seja, em hipóxia, como a pressão barométrica é inferior à pressão ao nível do mar, a respiração fica dificultada.

Tal acontece uma vez que o organismo tem que fazer um esforço extra de modo a conseguir baixar a pressão intrapulmonar de tal ordem que seja possível aos gases entrarem para os alvéolos pulmonares (respeitando o mecanismo de trocas gasosas por gradiente de pressões).

Adicionalmente, como, em altitude, existem muito menos moléculas de oxigénio, o mecanismo de inspiração e inalação de oxigénio fica ainda mais complicado e dificultado.

Estas dificuldades vão ao encontro das respostas fisiológicas agudas que o corpo evidencia em situações de hipóxia como, por exemplo, o processo de hiperventilação.

Assim sendo, a decisão de um treinador em colocar um atleta num programa de treino em altitude deve ser bem ponderada, tendo muito bem em conta todos os prós e contras que daí possam advir, principalmente ponderando se o elevado investimento financeiro justificará potenciais mínimos ganhos oriundos desta prática.